“A viagem também é antropofágica, pois, carregando o outro de significações do passado, acaba por deglutir a alteridade, negá-la, prendê-la num espelho em que o ‘eu’ facilmente se reconhece, apenas com o sinal negativo”.

As viagens são sempre experiências de estranhamento. Esse estranhamento não ocorre apenas em relação ao outro, mas ao próprio viajante. O que a viagem leva mais profundamente a compreender é que “o outro, só o alcançamos em nós mesmos. [...] Não podemos apanhá-lo fora, só o tocamos dentro de nós mesmos, pagando o preço de nossa própria transformação”.

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